sexta-feira, 20 de maio de 2011

Considerações sobre a Filosofia no Ensino Médio

O ensino público do país precisa de reparos. Reparos profundos e sérios. Dentro da grande crise que se agrava na educação brasileira está uma outra questão que precisa de grande atenção e de cuidados, é o ensino da filosofia e a aplicação das novas medidas sobre ela.

O que se tem feito nas salas de aula não ultrapassa o objetivo limitado do imediatismo. Já deveríamos ter superado a discussão acerca do conteúdo, não deveríamos mais dedicar o tempo na discussão se a filosofia deve falar dos fatos “cotidianos” ou se deve ir a leitura dos clássicos, deveríamos ter superado essa discussão e pensarmos na articulação entre os métodos que não priorize nenhum dos dois. A realidade da sala de aula está longe da que prevemos nas “medidas” descritas, mas sem nenhum vinculo com o que de fato acontece.

Muito se tem discutido acerca da transmissibilidade da filosofia. Essa questão trás consigo a questão do despreparo do professor, não só o de filosofia, mas a falta de preparo que o professor tem que ter diante das novas exigências dessa escola que acabou de nascer. O aluno é outro e o professor ainda não se deu conta disso. O professor de hoje ainda não conseguiu entender qual é sua nova função. Celso Antunes no livro “Como transformar informação em conhecimento” mostra que a velocidade do mundo atual fez um novo aluno, um novo aluno que a escola não está preparada para receber. Principalmente porque o professor ainda não descobriu sua nova função na sala de aula. Ainda estamos presos na idéia antiga de que o professor tem o papel de transmitir algo aos alunos, quando que na verdade sua função hoje deve ser o de transformar o que o aluno já tem em conhecimento. A questão da transmissibilidade é uma dessas discussões que ainda está presa ao antigo aluno e não chegou às novas exigências que precisam de um novo professor capaz de trabalhar o que o aluno já trás consigo e transformar isso em conhecimento. Quando se tira o enfoque da educação da transmissão de algo (e isso não acontece apenas com a filosofia, mas ressalto toda questão educacional) e coloca em algo que o aluno já trás consigo, ficando ao professor a tarefa de gerar o conhecimento, o professor tem sua função deslocada e o que vemos hoje é a dificuldade de se descobrir seu novo horizonte. O problema é em toda estrutura educacional que não se reestruturou diante desse novo aluno que acabou de aparecer. A discussão passa pela questão: que professor é esse que tem que nascer? Qual seu papel? – o que tenho visto nas escolas é o despreparo do corpo de professores diante dessa situação. O professor que detém conteúdo necessário, mas que peca em didática por tentar aplicar ainda hoje o que servia para o aluno de ontem. O resultado não foge ao que temos notícia: alunos fora das salas de aula, alunos que não cumprem com os requisitos das aulas, alunos que não respeitam os professores ou mesmo que não vê neles alguém que trás consigo algum tipo de autoridade (se é que o novo professor trás alguma autoridade).

A própria idéia de educação tem ficado polissêmica nas instituições de ensino, até numa única instituição os professores não tem clareza do conceito. Dessa forma, a dificuldade por um ponto de partida é logo imediata. Talvez devêssemos nos ater ao método socrático da maiêutica e sairmos da postura de professor que deve transmitir algo para assumirmos uma postura de quem trabalha o que o aluno tem e o transforma em conhecimento. Talvez encontrássemos respostas nos antigos filósofos para os dias de hoje e sairíamos de uma posição pouco privilegiada para assumir um posto mais próximo do aluno de hoje que não vê autoridade no professor, mas o professor ainda sustenta essa aparência. Talvez somente assim, “dando a luz” ao que os alunos trazem para as salas de aula, poderíamos encontrar novas respostas para o ensino brasileiro.

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